segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ver o azul


O céu bem azul traz os melhores pensamentos, as melhores lembranças, a melhor sensação da vida: sentir vivo. A felicidade é o que todos desejam hoje, e porque não tomar como objetivo trazer a felicidade dentro de cada um? Tentar deixar a própria felicidade fluir de toda a alegria que circula. Mais que qualquer outro desejo de riqueza: a amizade. Estar sozinho só torna a felicidade algo inalcançável, utópico. As vezes é preciso tão pouco para ganhar um amigo, é só abrir o coração. Um amigo não necessariamente vai enxugar suas lágrimas e resolver os problemas da sua vida, um amigo não necessariamente vai tornar tudo perfeito, mas ele vai tentar trazer um pouco da felicidade. Mais que amor, mais que quase todos os laços, a amizade só cresce e cresce. Provável que por isso o céu esteja mais azul hoje... na verdade ele foi azul todos os dias, mas na maioria deles, só fui capaz de não olhar para cima. Não importa quantas pessoas conheça, quantas pessoas ame, quantas pessoas você tenha por perto, só alguns vão saber mudar o curso da vida. Só alguns vão saber arrancar um sorriso da maneira mais espontânea. Só alguns vão saber até mesmo olhar. O coração sempre foi a chave. Sempre fui a minha chave. Convivência nunca significou confiança, sorriso nunca significou sinceridade, abraço nunca significou conforto sincero, dizer que é amigo não significa que existe amizade.
E assim fica o céu, cada dia mais claro até chegar o tempo quente, e nublar de novo, para que possamos buscar o sol de novo, para que possamos descobrir algo novo, e admirar depois de uma chuva, o céu mais uma vez azul.

Felipe Peixoto

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pega um pega geral, também vai pegar você!


Tropa de Elite 2, sem dúvida o melhor filme nacional e um dos melhores filmes que assisti. O filme supera muito o primeiro e mostra a realidade brasileira de perto, apesar de "meras coincidências com a realidade" da obra de ficção (como aparece na introdução do filme). Essa é a realidade. Apesar de não morar no Rio de Janeiro e não conhecer bem essa realidade de perto, já ví e ouvi acontecer parecido aqui em Fortaleza. O filme começa falando sobre direitos humanos, mostrando os dois lados da moeda e deixa várias questões soltas. Até que ponto os direitos humanos devem interferir nas decisões sociais? Até que ponto devemos ter o controle e a decisão sobre quem deve morrer e quem deve viver? As penitenciárias são realmente locais que são apropriados para os presos, ou deveriam ser lugares isolados e que aos poucos transformasse a vida dessas pessoas?

A realidade das penitenciárias brasileiras é bem séria hoje. A principal preocupação é a superlotação dos presídios. Depois do filme, fiquei me perguntando sobre as atividades dentro dos presídios. É uma prisão mental que também impossibilita de pensar, de tentar escapar da realidade, de tentar ver o mundo de outro jeito. A realidade da maioria dos presos sempre foi morte, drogas, estupro e outros acontecimentos bizarros. E porque não haver uma oportunidade oferecida a essas pessoas? Será que elas não merecem mais de maneira alguma a confiança da sociedade?
Depois que o cara foi preso, fez barbaridades, como fica a situação dele lá fora? Será que ele tem muito mais oportunidades do que antes de ser preso? Eu duvido muito que ele consiga um emprego. Ao mesmo tempo que vêm o sentimento de culpa pela falta de oportunidade dessas pessoas, vem o medo de arriscar, o medo de perder a vida. E direitos humanos devem existir para alguém que realmente mereça. Como assim? Será que vale a pena arriscar a vida de várias pessoas por causa dos "direitos humanos" de um cara que foi capaz de cometer vários crimes? Os direitos humanos não estão dando uma colher de chá, eles estão dando a xícara inteira em muitos casos.
O filme passa por toda uma confusão e chega a um outro ponto: a corrupção de policiais. Todos nós já sabemos disso e infelizmente fazemos vista grossa. Policiais do Ronda do Quarteirão (uma polícia de "emergência" do Ceará ) que chegam a negociar com traficantes e bandidos. Negociam o medo de proteger a população e o medo de arriscar suas vidas estando num trabalho que se propunham a fazer. Falta a capacitação desses policiais. No filme essa situação toma proporções maiores, o que pode acabar acontecendo mesmo. Depois do clímax do filme, tudo termina na política. Políticos corruptos, policiais corruptos e pessoas corrompidas: essa é a realidade do país. Em época de eleição tudo fica mascarado e o país fica perfeito, as propostas estão cumpridas e tá todo mundo feliz. Não tá! Isso aqui tá uma merda!
É impressionante a quantidade de corruptos nesse país, e como foi dito, ainda vai demorar pra que eles saiam. Infelizmente eles só saem se fizermos a nossa parte.
É tanto dinheiro que ninguém imagina e porque não foi feito nada ainda sobre tudo isso? Porque ninguém tá fazendo nada? Porque todo mundo tá acomodado com essa situação?
Tudo só depende de nós.

Curiosidades sobre o filme:
A maioria das pessoas foi querendo ver muita porrada, e o filme foi bem mais intelectual, logo muitas pessoas entenderam nada.
As propagandas escondidas no meio do filme, deixaram um filme nacional mais "americanizado"
O cálculo feito pelo personagem Fraga na aula não tinham fundamentos sociais concretos, só eram estatísticas sem avaliar o caráter geográfico/social do país.
A Globo participa da produção do filme, e no filme a imprensa é completamente imparcial, só repassa os fatos e descobre a verdade, sem nenhuma distorção e ainda passa uma imagem de jornalistas coitadinhos, com a personagem Clara.
O filme não tem uma visão imparcial sobre os direitos humanos, assumindo que direitos humanos é defesa de "vagabundo".

Felipe Peixoto

sábado, 9 de outubro de 2010

E agora?


Chegou o segundo turno, e o que fazer? Serra ou Dilma?
Muitas dúvidas cercam a população sobre o voto do segundo turno das eleições, e afinal de contas quem realmente está pronto para receber o país nas mãos?
Particularmente simpatizei com a candidata Marina Silva que infelizmente não chegou ao segundo turno. Estamos entre a difícil escolha entre um tucano extremamente conservador, e que promete mais e mais qualificações elitistas para o país, ou um governo de um boneco criado por um partido. Lógico que a força e imposição de um presidente é muito importante, mas pensar nas consequências de um governo do PSDB hoje no país ajuda bastante.
Voltamos ao passado, nos últimos oito anos do Presidente Lula. Melhoria na renda de muitas famílias, melhoria na educação (significativa, não que venha a se orgulhar disso) e uma série de aberturas comerciais para o país, e hoje uma estabilidade financeira que permitiu passar de uma crise praticamente intacto. Não devemos entender que o Presidente foi uma pessoa extremamente maravilhosa, mas temos que tirar o chapéu por ter feito o seu trabalho da maneira que lhe coube, e que manteve alguns benefícios para a população. Hoje com a imagem muito bem construída internacionalmente, Luís Inácio deixa de olhar um pouco mais abaixo. Deixa de lembrar do seu dedo perdido, e do passado trabalhador, sem manter a humildade que sempre se orgulhou tanto de carregar. Fez questão de destruir seus opositores em suas eleições... A questão é que novas eleições surgem, e temos a disputa do botox com o papel de bom moço. O botox mostra que houve todo um processo de "civilização" e adaptação para conquistar o carisma popular, sem deixarmos de lembrar que teve um passado bem difícil e que lutou muitas vezes para a melhoria de muitas coisas, chegando até mesmo a largar a família. O papel de bom moço é só papel mesmo, já que vem só pra mostrar uma imagem que não existe, uma imagem conservacionista que tenta passar bons valores e que no fim só desequilibra toda a estrutura do país. São governos desse tipo que o Brasil tem que abandonar: cheio de privatizações, divisões sociais e atrasos feitos por capitalistas progressistas. Atrasos sim, porque levar um grupinho de pessoas para a frente e deixar vários sem saber ler nem escrever é atraso. Atraso na saúde, atraso na educação, atraso em tudo que não gira em torno do umbigo dos empresários brasileiros. Tudo o que não precisamos agora é mais um governo de FHC mascarado. O país melhorou muito nos últimos oito anos, e colocar esse elitista no poder agora é pedir que todo o trabalho que foi arduamente construído passe aos poucos a ser desprezado, e que uma nova realidade antiquada seja tomada como a coisa certa a se fazer. Apesar de uma candidata montada mostrar-se muitas vezes sem opinião, é muito melhor do que o "Sr. Burns" na presidência deste país. Só não podemos deixar toda essa dúvida circular. O número de votos brancos e nulos foi muito grande, principalmente aqui no Ceará onde atingiu cerca de 20%. Os brasileiros tem que saber pensar. Chega de Tiriricas querendo subir as custas do nosso dinheiro! Nós pagamos tão caro por tudo e porque não desistimos da ideia de que o poder público é para o público? São esses Tiriricas que envergonham e apodrecem a nação. O que podemos esperar é que eles façam o melhor possível pelo país. Pensem, o voto vale muito!Vale o preço do feijão na mesa, o preço de um hospital bem estruturado, o preço de uma escola de qualidade e não de um litro de cachaça!

Felipe Peixoto.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Antítese


O mundo não volta atrás. Melhor assim, pelo menos a vida passa. É acordar de um sonho, que parece mais um pesadelo. Assim aparece a realidade. Entendi, finalmente. Esperança é uma projeção do que queremos que aconteça, fazer acreditar que pode acontecer diferente quando na realidade, tudo não passa de uma ilusão. Os abraços, sorrisos, brincadeiras... engraçado como quando lidamos com a verdadeira realidade ela dói. Na verdade eu nunca tive ninguém que pudesse me confortar, e ainda acho que talvez eu seja muito pouco para as pessoas. Ser muito pouco... sérias dúvidas sobre ser ou não problema.
Egoísmo. Isso faz valorizar o ego e esquecer o mundo e assim, as pessoas talvez reconheçam os valores. É toda essa podridão, essa imundície de valores hipócritas que cansam a paciência de aceitar sorrisos mascarados, e tantas palavras bonitas cuspidas.
Desisti de acreditar nas pessoas. Talvez por estar muito fora desse mundo, por estar fora do meu tempo, estar fora das ideias que deveria ter. Então porque não sair logo de vez de tudo isso? Era tudo o que eu precisava ter: a certeza da sinceridade de tudo. Chorar é quase impossível. Depois de ser tão pisado, a única ideia que vem à cabeça é como diminuir toda a dor.
Agora sei o que é chorar por dentro. Eu desisto... de mim, da minha vida, de valores, de tudo. Esse é o preço de se acostumar com a solidão. Só ela vale tanto. Com ela não me decepciono, não erro, não me engano. Estar doente da alma, talvez, mas antes doente da alma do que ser ferido até quase a morte dos pensamentos. É essa doença, que espalha e devora tudo por dentro. Deixo consumir cada parte, lembrança e qualquer alegria que surja. Não vou mais externar lágrimas, elas só demonstram para as pessoas a nossa tristeza, e nem tristeza quero ser capaz de sentir. A vida pode ser sem graça sem sentimentos, mas é muito menos decepcionante. Acho que no fim das contas sou muito pra mim.

Felipe Peixoto

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tempo


Incrível como cada dia ensina algo novo. Mais impressionante é o quanto esperamos sempre o melhor das pessoas. Sabe o que descobri? Não existe ninguém capaz de ver a realização. O mérito existe, e tantas pessoas fazem de tudo para obtê-lo... falsos argumentos, mentiras, xingamentos... umas poucas pessoas reconhecem os verdadeiros valores e onde estão elas? Muitas vezes do seu lado. É tão difícil encontrar pessoas que se satisfaçam com o seu sucesso... e a vida é muito pra elas.
Aprendi que mesmo que fiquemos magoados, um sorriso não vai resolver a situação. Isso é conversa fiada pra alma fraca. A situação se resolve quando nos movemos, quando relevamos esses mínimos detalhes e deixamos ser atingidos só pelo que for realmente importante. A loucura é importante. É toda essa normalidade, essa convenção que acaba com o jeito de cada um ser, de viver, de agir, pensar. É fácil julgar... engraçado como as pessoas sempre falam isso, mas quase nunca pensam sobre o que há por trás dos panos. Eu mesmo já me vi nessas situações. As pessoas estão sempre tão cheias de si, de egoísmo, de exibir as míseras qualidades e se preocupam tão pouco em ser alguém melhor para as outras pessoas. Ser alguém melhor acarreta a sua felicidade também! Se alguém não merece que você seja bom com ele, qual o problema? Sorria, para se encher de felicidade e não fazer uma máscara. Se estiver triste chore, se sentir raiva grite, ria muito, o tempo passa.

Felipe Peixoto

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pés no chão


É difícil encontrar razões em meio a uma turbulência de sentimentos. Nem sei ao certo o que se passa, mais sei quais são meus bons momentos de alegria. Ela traz a minha alegria. Se eu sei se é alegria mesmo? Basta olhar meu sorriso. Vai além de tudo, supera os outros fatos. Mas a vida parece querer tomar de súbito sempre a minha felicidade. O destino é motivo fraco demais para a minha desistência. Nem sei o que ando fazendo. Essa alegria volátil que me contagia, banha por dentro, mas que se esvai, deixando todo aquele vazio maior.
Sempre achei que ter os pés no chão fosse a melhor maneira de lidar com tudo, mas ultimamente a minha vontade de voar é incontrolável. Quero viver! Eu quero viver em cada abraço, cada grito de alegria, cada olhar, sorriso. Porque não dar lugar as minhas emoções? Mesmo que vazio, quero me preencher, ainda que de ilusões. Eu sempre quis saber o fim desse caminho, mas prefiro me preocupar com a beleza da paisagem agora. Mesmo que eu esteja morrendo em cada passo, se no fim das contas eu conseguir demonstrar tudo o que quero, vale à pena.
A vida se coloca assim, pronta pra levar ao céu e inferno em pouco tempo. Particularmente tenho provado de cada um destes, o que é suficiente para que não saiba qual deles me aguarda. E nessa minha batalha mental, quero descobrir em qual dos lados estou: o meu ou o que quero que seja meu. Realmente é correto que se tente fazer tudo dar certo, mas até que ponto isso está pagando o preço? Perguntas que quero responder um dia. Ainda que eu viva de ilusões, só me resta acreditar nelas.
Pensar na vida agora é mais difícil. Tudo o que preciso agora é me perder, deixar fluir e viver o que puder. Esse é o preço da felicidade: o risco. Agora estou disposto, a viver da minha maneira.

Felipe Peixoto

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Perdão


É engraçada a maneira de perdoar das pessoas. Mais engraçado é como surge esse perdão. Pena ou é só para agradar a estética "eu sou bonzinho e amo todo mundo"? Nem sei, prefiro pensar sobre como perdoar. O perdão vem de erros, que podemos apagar do curso da vida. Guardar rancor de alguma situação é ruim, mas esquecer que erros foram cometidos antes é burrice. Estar entre a espada e a espada. Apesar da minha pouca crença no mundo, ainda acho que pode existir alguma maneira de ver tudo de outro ângulo. Erros nos fazem ver a real importância dessas pessoas na nossa vida e constroem a personalidade. A ferida deixada sara, não importa quando e devemos estar sempre dispostos a aceitar tudo de novo, sem perder a memória passada.
Acho que o verdadeiro nome para isso tudo é tolerância. Existem pessoas que abusam dela e se metem nas situações; é realmente irritante. A tolerância nos faz ignorar os fatos, ou a existência das pessoas e situações. Até que ponto aguentar não perder a cabeça? Até que ponto já perdemos a cabeça? Sempre existe um limite para tudo. De nada adianta guardar toda a raiva, mas deixar as pessoas tomarem o curso da sua vida por você é absurdo; apenas algumas pessoas tem esse direito: os verdadeiros amigos. Pensar sobre nós é sempre tão fácil. Como vai a minha vida? Esses dias eu to bem...mas o estar bem depende de quem? Eu acho que quando gostamos de alguém, procuramos saber muito mais sobre a felicidade do próximo; caso contrário é muito mais egoísmo. E o egoísmo vale a pena? Até vale... se você viver sozinho no mundo.
Mas é impossível ser feliz sozinho. Então porque não jogar tudo o que é velho fora?Autoestima é tentar fortalecer a fraqueza humana. Não existe uma felicidade única, ideal. Decidi que não ouço mais conselhos. Não que eu desse real importância a eles, mas tinham um valor significativo em mim. É engraçado.

Felipe Peixoto